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Os Três Níveis de Conexão Progressiva

Michael Berg
Maio 14, 2026
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Em Sefer Yetzirah, Abraão escreve que o poder e a dádiva única que estão disponíveis para nós neste mês de Sivan, ou Gêmeos, são o poder do movimento. O que significa movimento e por que ele é tão importante? 

Como a Kabbalah nos ensina, viemos a este mundo para alcançar a revelação completa do potencial da nossa alma, o que exige crescimento constante e movimento constante; simplesmente ser uma boa pessoa que realiza algumas ações espirituais não é suficiente… precisa haver movimento espiritual constante. Portanto, quando falamos sobre movimento, o movimento mais importante é o movimento espiritual. 

Para que possamos realmente entender o que isso significa e para onde estamos tentando ir, gostaria de compartilhar com vocês algo que foi ensinado há milhares de anos a Rav Shimon bar Yochai por um homem cujo pai era um grande sábio. Rav Shimon pediu que ele repetisse um ensinamento que havia ouvido de seu pai, ao que o homem respondeu: “Meu pai me ensinou que existem três níveis de conexões progressivas de crescimento com a Luz do Criador. Inicialmente, a conexão de uma pessoa com a Luz do Criador é como a de uma filha com seu pai; o segundo nível de conexão é como a de uma irmã com um irmão; e o terceiro nível de conexão é como a de uma mãe com um filho.”

Depois de ouvir esse ensinamento, Rav Shimon bar Yochai disse ao homem: “Se eu tivesse vindo a este mundo apenas para ouvir essa sabedoria, esse ensinamento, então toda a minha vida já teria valido a pena”; claramente, isso indica que o ensinamento compartilhado com Rav Shimon contém dentro de si quase tudo o que precisamos saber sobre nossa vida espiritual e nosso trabalho espiritual e é, portanto, um ensinamento fundamental e de grande importância. Assim, foi revelado a Rav Shimon bar Yochai que existem três níveis de elevação progressiva e conexão entre o indivíduo e o Criador. O mais básico é comparado à relação de uma filha com seu pai; o segundo, à de uma irmã com seu irmão; e o terceiro, à de uma mãe com seu filho.

Qual é o segredo desse importante ensinamento? Quando a maioria das pessoas começa sua jornada espiritual, provavelmente o faz porque quer ou precisa de algo e, portanto, sua conexão com a Luz do Criador é a de alguém que recebe. Talvez precisemos de cura, talvez precisemos de ajuda, talvez precisemos de felicidade, talvez precisemos de realização; mas, de qualquer forma, queremos receber da Luz do Criador, e esse nível de conexão, dizem eles, é como o de uma filha com seu pai; a filha recebe de seu pai, que lhe dá tudo o que pode em termos de auxílio. Esse é o nível mais baixo de conexão espiritual. Quando desejamos receber por meio da nossa conexão espiritual, isso não é algo negativo, pois ainda é muito mais elevado do que o estado de um indivíduo que não está conectado à Luz do Criador de forma alguma; no entanto, isso é visto como o nível mais baixo de conexão.

No nível seguinte, como o de uma irmã com seu irmão, os kabalistas explicam que irmãos e irmãs estão no mesmo nível e, embora realizem um trabalho, eles o fazem juntos, em parceria; são iguais e estão realizando o trabalho juntos. Assim, esse segundo nível acontece quando um indivíduo se eleva mais em sua consciência e entende que sua tarefa e missão neste mundo não é simplesmente receber da Luz do Criador, mas auxiliar a Luz do Criador a revelar Luz e bondade aos outros neste mundo. Nesse nível, aceitamos a parceria e a responsabilidade que temos com a Luz do Criador, em igualdade, para fazer o que pudermos para ajudar os outros, trazer a Luz do Criador ao mundo e possibilitar aos demais uma conexão com a Luz do Criador.

O nível mais elevado, explicam os kabalistas, é como o de uma mãe com seu filho — a mãe sendo o indivíduo que se elevou, e o filho representando a Luz do Criador. Existe um conceito segundo o qual uma pessoa justa, alguém que alcançou esse nível de conexão, decreta aquilo que deve acontecer. Sempre que essa pessoa diz, por exemplo: “que haja cura aqui, e que bênçãos venham ali”, a Luz do Criador precisa manifestar essa cura e essa bênção. Indivíduos que cresceram e se esforçaram para continuar se movendo em seu trabalho espiritual e em sua conexão podem chegar a esse nível. Esse é um nível ao qual podemos — e queremos — chegar, em que, por causa do nível de conexão que alcançamos, como a de um filho com sua mãe, a Luz do Criador se manifesta, bênçãos chegam, e a Luz desperta onde quer que Lhe digamos para despertar.

Esses são os três níveis que, se somos sérios em nossa busca espiritual, precisam servir como guia para onde queremos chegar. Se estamos no nível mais baixo, em que simplesmente fazemos nossas conexões e realizamos nosso trabalho espiritual para receber, então queremos nos impulsionar ao próximo nível, como o de uma irmã com seu irmão, realizando o trabalho junto com a Luz do Criador, ajudando os outros em sua conexão e auxiliando a Luz do Criador a se revelar neste mundo em uma parceria. E, se já estamos nesse nível, existe um nível ainda mais elevado ao qual aspirar: quando um indivíduo realmente torna-se, como dizem os kabalistas, uma pessoa que governa sobre a Luz do Criador, elevando-se a tal ponto que pode dizer à Luz do Criador onde Se manifestar, o que fazer e para onde ir.

Quando falamos deste mês de Sivan, precisamos perceber para onde devemos ir e quais níveis devemos alcançar, e não nos contentarmos simplesmente em ser receptores da Luz do Criador, ou até mesmo parceiros da Luz do Criador. Precisamos saber que cada um de nós pode — e deve — se impulsionar para se tornar como uma mãe para seu filho, como alguém que decide para onde a Luz do Criador deve ir. Alcançar isso, é claro, exige movimento e um verdadeiro comprometimento com o trabalho espiritual. Portanto, ao iniciarmos este mês, o que queremos fazer, antes de tudo, é ganhar clareza sobre a distância entre onde estamos em nosso nível espiritual e para onde precisamos ir; e, em segundo lugar, tomar a decisão e assumir o compromisso de que, no fim das contas, queremos chegar ao estado em que governamos sobre a Luz do Criador e dizemos a Ela para onde ir. Isso claramente não é um trabalho fácil. Mas é disso que este mês se trata: compreender para onde devemos ir e decidir que é para lá que queremos ir. E então precisamos nos perguntar que tipo de trabalho precisamos fazer, o quanto devemos nos esforçar além do que já fazemos para realmente sermos capazes de alcançar esse nível, e se acreditamos que aquilo que estamos fazendo atualmente sequer nos levará a esse terceiro nível.

Esse é o movimento e o estado final para os quais viemos a este mundo, e este é um presente e um despertar deste mês; algo que, se merecermos nos conectar verdadeiramente, iremos sentir. Olharemos para aquilo que estamos fazendo, olharemos para nossa vida espiritual, e diremos: “Isso pode ter sido suficiente até agora, mas existem níveis mais elevados que eu devo alcançar.” Este é o mês do movimento e, portanto, somos despertados e inspirados a encontrar as diferentes coisas que precisamos fazer e as diferentes ações que precisamos tomar para sermos capazes de nos mover em direção ao estado final para o qual nossa alma veio a este mundo.
 


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